Nissan sai do vermelho depois de dois anos, mas a comemoração ainda tem ressalvas

Nissan registra lucro líquido de 3,7 bilhões de ienes no trimestre abril-junho, encerrando oito trimestres consecutivos no vermelho. Entenda os números por trás da virada.

ECONOMIA

8/4/20262 min ler

Imagem Ilustrativa (IA)

Depois de oito trimestres seguidos amargando prejuízo, a Nissan finalmente teve algo para comemorar. A montadora anunciou nesta segunda-feira um lucro líquido de 3,7 bilhões de ienes no trimestre encerrado em junho, revertendo um prejuízo de 115,7 bilhões de ienes registrado no mesmo período do ano anterior. É um número modesto para uma gigante do porte da Nissan, mas simbolicamente pesado: depois de dois anos de reestruturação dolorosa, a empresa finalmente voltou a dar lucro no trimestre mais recente.

Os números por trás da virada

O resultado operacional surpreendeu ainda mais positivamente, saltando para um lucro de 77,9 bilhões de ienes, ante um prejuízo operacional de 79,1 bilhões no ano anterior. A receita também cresceu 9,5%, alcançando 2,96 trilhões de ienes. Por trás dessa recuperação estão dois fatores que se somaram na hora certa: um alívio de quase 80 bilhões de ienes nas tarifas americanas, fruto do acordo comercial firmado entre Japão e Estados Unidos que reduziu as taxas sobre veículos e um impulso de 35 bilhões de ienes vindo da desvalorização do iene frente ao dólar uma ironia curiosa, já que a mesma moeda fraca que prejudica outras exportadoras japonesas neste momento ajudou a Nissan a fechar as contas no azul.

O corte que doeu, mas funcionou

O presidente-executivo Ivan Espinosa não escondeu o orgulho ao anunciar que o trimestre trouxe 60 bilhões de ienes em economia de custos, fruto direto do plano de reestruturação lançado pela empresa em maio do ano passado, um pacote que incluiu fechamento de fábricas, cortes de empregos e reorganização de linhas de produção em escala global. Para Espinosa, os números mostram sinais claros de progresso rumo à recuperação da companhia, com a redução de custos avançando dentro do cronograma planejado.

Nem tudo são flores: vendas globais caem

Apesar do lucro, as vendas globais da Nissan recuaram 0,9% no período, totalizando 701 mil veículos. O mercado europeu foi o ponto mais fraco, com queda de dois dígitos, mesmo com desempenho positivo nos mercados-chave da América do Norte, China e Japão. Diante da concorrência cada vez mais acirrada de fabricantes chineses de veículos elétricos, a Nissan revisou para baixo sua projeção de vendas globais para o ano fiscal, cortando 150 mil unidades da meta original, agora projetada em 3,15 milhões de veículos.

O que vem a seguir para a montadora

A companhia optou por manter inalterada sua projeção de resultado financeiro para o ano fiscal completo, mesmo diante do corte na meta de vendas, apostando que a economia de custos e o câmbio favorável continuarão compensando a fraqueza em mercados como o chinês. Para investidores e analistas do setor automotivo, o trimestre representa um respiro real depois de dois anos turbulentos, mas a recuperação plena da Nissan ainda depende de variáveis fora do controle da empresa, como a instabilidade cambial, as tensões geopolíticas no Oriente Médio que já pressionam custos de matéria-prima, e uma guerra de preços na China que não dá sinais de trégua.

Por ora, os 3,7 bilhões de ienes de lucro são pequenos diante do tamanho da Nissan, mas representam algo maior: a prova de que o plano de reestruturação, por mais doloroso que tenha sido, começou a dar resultado.