Tarifas de Trump voltam a assombrar empresários japoneses: "um golpe para toda a indústria global"

Tarifas de Trump voltam a assombrar empresários japoneses: Empresários japoneses reunidos no fórum da Keidanren cobram respostas às novas tarifas de 12,5% dos EUA. Entenda os impactos para a indústria e o comércio exterior do Japão.

ECONOMIAGEOPOLÍTICA

8/3/20262 min ler

Imagem Ilustrativa (IA)

Enquanto o iene oscila e a bolsa de Tóquio sofre, um velho fantasma voltou a rondar a sala de reuniões dos maiores empresários do Japão: a política tarifária dos Estados Unidos. No segundo dia do fórum de verão da Keidanren, a poderosa federação empresarial japonesa reunida em Karuizawa, o clima foi de apreensão declarada diante da nova rodada de tarifas anunciada pela administração Trump, que já entrou em vigor cobrando 12,5% sobre uma ampla gama de produtos japoneses.

Um recuo que não é bem um alívio

A tarifa atual representa, tecnicamente, uma redução frente ao patamar de 25% que chegou a ser cogitado anteriormente, fruto de negociações em que Tóquio se comprometeu a eliminar restrições a produtos americanos e apoiar um fundo de investimento bilionário nos Estados Unidos. Mas poucos no setor industrial japonês estão comemorando. O presidente da Nippon Steel resumiu o sentimento geral ao classificar as tarifas como um golpe severo para toda a indústria manufatureira mundial, questionando se essa é realmente a ferramenta certa para reviver a produção americana.

Empresas já se movimentam, mas sem entusiasmo

Do lado da Kawasaki Heavy Industries, o discurso foi mais pragmático: já que a decisão está tomada, resta se adaptar, inclusive avaliando a transferência de parte da produção para território americano. É um padrão que se repete entre multinacionais japonesas desde que Washington endureceu o tom no comércio internacional, resignação misturada com planejamento defensivo, na tentativa de blindar margens de lucro que já vêm sendo espremidas por outro fator: a valorização repentina do iene.

Ameaça de tarifas adicionais no radar

O que mais preocupa os líderes empresariais, no entanto, não é apenas a tarifa já em vigor, mas o que pode vir a seguir. Editoriais da imprensa japonesa alertam que o governo americano avalia sobretaxas adicionais para até 16 países, incluindo o Japão, sob a justificativa de combater o que classifica como "excesso de capacidade produtiva" no setor automotivo um argumento que a indústria japonesa rejeita com veemência, temendo que uma escalada nessa frente comprometa ainda mais a já fragilizada cadeia de exportação nipônica.

Pressão política também em Washington

Análises recentes apontam que boa parte do peso dessas tarifas acaba recaindo sobre o próprio consumidor e empresário americano, não sobre os exportadores estrangeiros como a Casa Branca costuma sugerir publicamente, um contra-argumento que ganha força entre economistas, mas que até agora não freou o avanço da política tarifária, mantida como bandeira central da administração Trump rumo às eleições legislativas de novembro nos Estados Unidos.

O que está em jogo para o Japão

Para a segunda maior economia exportadora da Ásia, o momento exige equilíbrio: negociar sem ceder posições estratégicas, proteger empregos industriais e ao mesmo tempo, evitar uma escalada que jogue ainda mais lenha na fogueira cambial que já castiga a bolsa japonesa. em Karuizawa deixou claro que, para os empresários do país, essa conta ainda está longe de fechar.